11-09-2001 O dia que mudou o (meu) mundo!

Faz hoje 17 anos que o mundo como o conhecíamos mudou! Aquele dia marcou o mundo inteiro e particularmente o meu!

O dia amanheceu cheio de expectativa e borboletas no estômago, ia dar o salto, mudar-me para os EUA, primeira viagem sozinha, primeiro vôo, primeira vez no estrangeiro, um sem número de primeiras vezes que já não me lembro concretamente…

Recordo-me sim dos rostos de quem me levou ao aeroporto, da ansiedade e do nervoso miudinho de experimentar estas primeiras vezes sem ninguém para partilhar ao lado. Recordo-me de estar sempre alerta para perceber como tudo funcionava, de vislumbrar no mapa do avião a chegada à cidade que nunca dorme cada vez mais perto e de estar nervosamente entusiasmada com o que esperava por mim… Até que inesperadamente um comunicado um pouco atribulado nos indicava que por motivos técnicos iríamos aterrar no Canadá, todos os passageiros se entreolharam com alguma desconfiança, mas sem alarmismos, mas quinze minutos depois outro comunicado, afinal iríamos para as Bermudas por uma questão de segurança, pois tinham encerrado o espaço aéreo do Canadá e dos EUA. Pairavam gigantes pontos de interrogação sobre nós, a tripulação manteve-se calada e respondia às várias questões de uma forma muito vaga, numa tentativa muito pouco convincente de que este desvio era normal, para que nos mantivéssemos calmos.

Aterrámos sem qualquer informação sobre o sucedido, ironicamente fomos encaminhados para um hotel de 5 estrelas frente ao mar, de modo que fossemos alojados enquanto necessário! Creio que nunca passou pelos meus/nossos mais recônditos pensamentos o que se estaria a passar na cidade onde supostamente iríamos aterrar.

Após alguns telefonemas emocionados por parte dos meus familiares e amigos que nunca obtiveram qualquer informação sobre onde se localizavam os passageiros daquele voo, neste caso eu (presumo que aconteceu com todas as pessoas que tentavam localizar passageiros de voos com direção a Nova Iorque ou aos EUA), procurei como uma louca por uma televisão no quarto, que estava oportunamente escondida atrás de um requintado armário… As primeiras imagens foram um choque, pessoas a atirarem-se dos prédios, fumo por todo o lado e uma aflitiva repetição dos aviões a entrarem torres adentro, um cenário dantesco que questionava tudo o que conhecíamos até então. Porquê?

Após três dias retidos na ilha a questionar a possibilidade de voltar, com chamadas a cada 12 horas caso fôssemos libertados para voar novamente, conseguimos ultrapassar uma conturbada ameaça de bomba num aeroporto à beira de água e finalmente embarcar rumo à cidade que chorava as perdas e a tragédia do  ataque que foi sadicamente planeado para que fosse testemunhado em direto por todo o mundo. Ainda vislumbrámos fumo quando aterrámos, um sentimento geral de desolação e perda, o mundo chorou o sucedido, e nesse dia o nosso conceito de segurança desfez-se, tivemos de construir outro lentamente moldado à realidade que ainda hoje vivemos.

A minha viagem seguiu atribulada por motivos vários, a falta de serviços no aeroporto, a desorganização de um sistema de transportes no seio do caos em que se encontrava a cidade, a minha desorientação pela inexperiência em viagens, a barreira linguística perante o nervosismo do que passava à minha volta, enfim, uma fórmula perfeita para o desastre que felizmente me encamimhou em segurança para o meu destino final a uma hora e meia de Nova Iorque. A pessoa que me esperava no aeroporto 4 dias antes, recebeu-me de braços abertos com uma única indicação quando consegui ligar a avisar que chegaria dali a uma hora e meia, “não dês um passo depois de saires do comboio!”, ainda hoje me recordo claramente do rosto da mulher que caridosamente me perguntou se precisava de ajuda perante a minha clara cara de preocupação e incertezas, ofereceu-me o seu telemóvel para fazer aquela tão necessária chamada para que me fossem buscar à estação.

O mundo mudou e eu também, os dias seguintes foram claramente tensos e toda a população vivia amedrontada, as memórias daquele dia são tão nítidas como ontem. A cada ano que passa, e as imagens são apresentadas repetidamente em todos os meios de comunicação, vem a vívida recordação do que aconteceu naquela soalheira manhã e de como a nossa segurança se desfaz num ápice!

Só nos resta esperar que o mundo melhore através da tolerância e que os atos de ódio cessem completamente! Que os heróis que salvaram inúmeras vidas e as que infelizmente lá ficaram sirvam de exemplo para caminharmos rumo a uma consciência mundial que impeça que atos como este aconteçam novamente.

Nunca vi ou visitei as torres, algum tempo depois vi as escavações e o trabalho de limpeza em curso. Em todas as visitas que fiz à cidade com amigos e familiares que me visitaram, inevitavelmente fomos ao local e o sentimento era como um murro no estômago a cada maldita vez. Atualmente ergue-se um magnífico edifício que ainda não tive oportunidade de conhecer, pois regressei muito antes da sua inauguração. A cidade que nunca dorme, apesar de amputada, reergueu-se e ofusca-nos com o seu brilho, é uma das minhas cidades preferidas, senão mesmo a que ocupa o pódio, uma visita e viagem imperdíveis!

11 de Setembro de 2001, o dia em que o mundo mudou e eu também…

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